Alimentação Parte IV – Os Rótulos

Por: Muriel Mendes Dentro: Saúde & Alimentação Em: Comentário: 0 Hit: 343

Não podia acabar este artigo sobre alimentação, sem falar de uma das coisas que menos parece ser vista e sobretudo entendida – Os RÓTULOS! Sim, eles parecem por vezes uma aventura ao desconhecido, mas sabendo decifrar o que escondem, também saberás mais fielmente, o que estás a dar ao teu cão. Claro que podia entrar de cabeça em várias frentes, mas também não pretendo dar asas a um debate sem fim e por isso, irei focar o que é mais relevante e importante segundo a minha opinião quanto aos pontos abordados, mas baseada em factos com fontes disponíveis (Regulamentação dos Subprodutos da União Europeia e FEDIAF – Normas para rótulos de rações para animais na União Europeia) para pesquisa através do texto.

As normas para criar rótulos são reguladas na Europa pelo FEDIAF e segundo o que determinam, existem 8 secções legalmente exigidas por eles, que devem constar de um rótulo:

  1. Nome e descrição do produto.

Que comece a Odisseia! Se por um lado “Ração Completa” nos indica uma alimentação com todos os nutrientes para satisfazer as necessidades diárias dos nossos canitos, dado na quantidade indicada no rótulo, “Alimento Complementar” deve ser usado quando o mesmo não acontece. Atenção que “completo” não é “equilibrado” ou “balanceado”, é apenas “completo”. Não esquecendo aqui mais uma vez, que os parâmetros de uma ração para cão ou gato, provavelmente para qualquer outro animal, se baseiam nos mínimos exigidos para manter um animal vivo, em condições óptimas, num espaço de tempo de 6 meses. Depois disso, ninguém vai averiguar a saúde dos patudos… Sou da opinião de que uma ração completa, se for mesmo boa, pode servir para todos os cães (saudáveis), porque em vez de se basear em mínimos exigidos para cada um, oferece um alimento completo que serve para todos.

Sabias que…

“Com sabor a Borrego” significa que qualquer coisa abaixo dos 4% de borrego é suficiente.

“Com Borrego ” significa que apenas tem de ter 4% desse ingrediente.
“Rico em Borrego” significa que tem de ter apenas 14% desse ingrediente.
“De Borrego” significa que tem pelo menos 26% desse ingrediente.

  1. Composição – Lista de Ingredientes.

A lista de ingredientes aparece pela ordem decrescente dos seus componentes e pode ser descrita pela sua real composição – carne de frango desidrata, milho, gordura de frango… ou pode ser descrita através de categorias – carnes e subprodutos animais, cereais e subprodutos… E o que isso inclui? Bem, tripas, corações, pulmões, fígados, estômagos, entre outros ingredientes que não servem para consumo humano, são descartados dessa cadeia alimentar, mas considerados altamente nutritivos para os nossos animais e uma forma de produzir rações que estejam ao alcance de qualquer bolso, evitando assim desperdício…

Mais uma vez, isto está tudo muito bem se compras 15Kg de ração feita de subprodutos por 15€ no máximo. Agora relembra-me lá, porque é que existem rações de cereais e subprodutos à venda por 45€? E há quem as compre?! Pois, também me escapa…

Subprodutos de animais são corpos, ou partes do animal, produtos de origem animal ou outros produtos obtidos de um animal que não se destinam ao consumo humano. Incluem cabeças de aves, pele, cornos, patas, cerdas de porco, penas, sangue, ossos, sedimentos provenientes do processamento de leite, placenta, lã, cascos, isso tudo proveniente de animais mortos ou abatidos, que claro, não tinham evidência de doenças transmissíveis para o homem ou para os animais e que correspondem ao regulamentos da União Europeia sobre o assunto que é extenso…

Derivados, são produtos obtidos através do tratamento, transformações ou vários passos de processamento dos subprodutos animais.

  1. Constituição analítica.

Da constituição analítica consta a proteína bruta, a gordura, fibras e cinzas.

Sabias que para saber a quantidade de hidratos de carbono presentes numa ração, basta aplicares uma simples fórmula?

Hidratos de carbono = 100% – % Humidade – % Gordura – % Proteína – % Fibra – % Cinza

E que para determinar a energia metabolizável, isto é, a energia que determinada quantidade de ração dá ao teu cão, basta aplicares outra simples fórmula?

EM = 10*((3.5* % Proteína)+(8.5* % Gordura)+(3.5* % Hidratos de Carbono)) O resultado é dado em Kcal/Kg

Resumindo, quanto mais hidratos de carbono, menos carne e quanto maior a energia metabolizável, menos ração diária para satisfazer as necessidades do teu cão, menos desperdício, um cão mais feliz. (É de salientar que os resultados da EM são obtidos por uma fórmula que não considera a qualidade da proteína – donde se retira uma boa ou média digestibilidade, o que poderá sobrevalorizar uma pobre ração e subvalorizar uma boa).

  1. Informação acerca de aditivos.

Os aditivos categorizam-se por nutricionais, traços de elementos, vitaminas e aminoácidos. Podem ser referenciados nos rótulos por categoria ou por grupo funcional – conservantes, corantes, antioxidantes. Vitaminas, traços de elementos e aminoácidos podem estar na categoria de “constituintes analíticos”. As quantidades indicadas são aquelas que se encontrarão na ração, aquando do fim de validade da mesma.

  1. Data de validade e número de lote.

Uma ração que passa da data de validade, não estará forçosamente estragada. No entanto alguns nutrientes, como as vitaminas, só serão garantidos nas quantidades indicadas, até à data indicada.

  1. O nome do produtor ou distribuidor e os contactos através dos quais podem ser pedidas mais informações.
  2. Modo de uso do produto (tabelas de alimentação).
  3. Peso ou quantidade de produto.

Vais começar a ler os rótulos com outros olhos? Espero bem que sim!

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